segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SERÁ QUE VALHO QUANTO?

Descreva-se. Com este imperativo já passei por algumas entrevistas na minha vida. e como um surto que nem sempre consigo controlar, me descrevo por aquilo que faço e não pelo o que sou.
Faço Pedagogia, gosto de assistir a estes filmes, ouço tais e tais músicas,  adoro comer estes e aqueles pratos etc. Eis aí o resumo de mim mesma que satisfaz de uma forma em geral, a maioria das pessoas que surgem com esta pergunta.


Respostas evasivas, cômodas, pouco valorativas, e paradoxalmente, profundamente superficiais.





Mas a verdade é que a maioria se satisfaz (diria que plenamente) com estas respostas, pois elas sintetizam o paradigma no qual estamos submersos e que diariamente ajudamos a solidificar: o valor do homem pelo o que ele faz, e não pelo que ele é. O homem como uma mercadoria, como objeto de ação, e esta ação na ponta nem sempre vem precedida por uma ação inicial, que é o pensar, o ser. De muito ocupados que estamos, sequer temos tempo para pensar nossa existência.
As relações entre as pessoas estão tão mercantilizadas, tão barganhadas, que perdemos aos poucos o interesse por estar em companhia de alguém por estar, pois sempre esperamos dela algo em troca, uma espécie de pagamento maquiado, e nem sempre é material. Em terra de leões, nada é grátis, e se ofereço algo, devo recebê-lo em troca, na mesma medida, ou ligeiramente mais, seja para bem ou para mal.

Quem dá recebe; o que se faz se paga...

Valemos aquilo que fazemos. E se deixamos de fazê-lo com  destreza, certamente perdemos parte de um valor que jamais tivemos.  Assim é na faculdade, no trabalho, na igreja, e até mesmo dentro das famílias.
Como me recuso a me auto-imputar um valor pelo que faço, finalizo dizendo quem eu sou, quem eu sou mesmoooo, pois apesar de aquilo que faço também dizer algo sobre mim, ele não me resume. Eu sou mais que alguém que faz Pedagogia na UERJ, que faz curso de inglês, que faz academia, que não gosta de escovas de cabelo e que adora legumes e pizzas e hambúrgueres gigantes. Nos entremeios e intervalos da vida, sou também curiosa, teimosa, impaciente, solícita, questionadora, inconformada, dedicada, ciumenta, levemente saudosista e pesadamente implicante.

E se você insiste em dizer que não tem tempo, seja criativo e inteligente como meu amigo da foto abaixo...
Em meios aos números 1 e 2 da vida, um ser pensante...