quinta-feira, 22 de outubro de 2009

VIDA DIFÍCIL PRA CACHORRO...

Todas as vezes que é veiculada a propaganda da Pedigree tenho vontade de sair da sala... francamente, não suporto mais vê-la e conter a vontade de chorar... que triste.


Não apenas pelos bichinhos, que são o centro das atenções do comercial, mas por tudo que a mensagem desta propaganda me remete.
Quando a vejo, penso nos bichinhos que são frequentemente abandonados nas ruas (é isso aí, Luíza Mel... choraaaaaa, eu também choro), que são trocados por cães afrescalhados e caríssimos. Inúmeras pessoas com poder aquisitivo preferem comprar um filhote por fortunas a adotarem um nessas instituições de apoio aos animais. Que tolice, bichinho é bichinho...




Numa sociedade em que o mais caro vale mais, em que a raça é critério de distinção, só podíamos parar na situação como seres humanos que nos encontramos (ou desencontramos).
O que falar, agora em escala absurdamente mais grave, obviamente, dos meninos e meninas sumariamente abandonados nessas instituições de acolhimento de crianças, desses bebês lindinhos totalmente à mercê do azar e da sorte?
Conheço pessoas que preferem povoar o planeta com uma penca de filhos a adotarem um bebê. Pura ignorância, pois nada nessa vida é natural (viva Foucault), quase nada nessa vida é inato, até mesmo as relações mais profundas do bebê com sua mãe são construídas socialmente, então, porque não amar, e adotar como seu um filho do mundo, construindo com ele um vínculo de carinho e maternidade?
Preferem ignorar a existência destes e trazer ao mundo suas próprias crianças, num ato quase narcísico de necessidade de produzir algo que seja, pelo menos fisicamente e comportamentalmente, reflexo seu.

É claro, que por trás há todo preconceito relativo à cor, à classe social, muito além talvez dessa questão do que é ou não natural.

Uma sociedade que distingue animaizinhos de estimação por raça e valores, jamais seria capaz de compreender o amor por uma criança, independente de sua "raça" (para os idiotas que ainda insistem nessa expressão), ou classe social.

Por isso que vejo as igrejas tão cheias de pessoas e tão esvaziadas de amor, por não entenderam o mandamento básico e pedra fundamental dos ensinamentos de Cristo: amar.

É por isso, que muitos continuam preferindo falar em línguas indecifráveis, ter dons de revelações, liderança, a ter o dom do amor, da misericórdia.
Por isso, muitos ainda pagam R$ 2.000 em um filhote a tomar um para si na Suípa. Por isso, os bebês crescem nas instituições de apoio e aos 18 anos são despejados para as ruas, numa ação clara do Estado de afirmação de que "esse problema não é mais meu...". Por isso, nos esquivamos dessas crianças nas ruas com medo de sermos assaltados. Por isso, a cracolância em Sampa vive cheia.

E tudo começou com um simples comercial da Pedigree...
E pensar que as coisas mais simples da vida são as que mais possuem lições a oferecer.

BJS!

domingo, 11 de outubro de 2009

O QUE ME MOVE

Somos todos homens e mulheres de fé. Pelo menos, é o que eu acho. Até mesmo os ateus depositam sua fés em algo ou alguém: em cálculos matemáticos, numa descoberta da genética, no novo emprego, no novo governante etc.





E quando a razão já não é capaz de fornecer as respostas que desejamos, tentamos buscar em algo além de nós estas respostas, sem percebermos que algumas delas são insolúveis...
Nascemos, nos relacionamos, conhecemos e esquecemos pessoas. Somos esquecidos, somos amados, somos odiados. Sentimos inveja e ciúmes, temos ataques de raiva, de depressão, de melancolia, de excitação. Temos curiosidades, testamos sabores, testamos a vida, testamos os Homens. 
Consumimos o dispensável, perdemos a cabeça por um belo sapato. Odiamos as mulheres bonitas e inteligentes, certamente elas possuem seis dedos e um péssimo hálito.
Vibramos com as vitórias, escondemos as derrotas, escondemos a nós mesmos.
Fugimos da chuva, reclamamos das vias esburacadas, somos assaltados e contamos depois como se tivesse sido uma grande aventura...



Bem, quanto a mim, vou indo muito bem, obrigada... tenho fé em Deus, fé que nunca estou só, que sou acolhida, cuidada, testada, provada a cada nova atitude. Não como um inquisitor, mas como alguém que me ensina a viver melhor, uma espécie de ajudante para um... improve myself. 
Tenho fé no Mengão, tenho fé até no Dennis Marques. 
Tenho fé que algumas condições sociais poderão mudar, tenho fé que não serei uma qualquer. 
Tenho fé em mim. Não é possível que minha passagem por este (de muitos outros) planetas seja tão vã, tão fugaz, tão insipidamente vazia. E por acreditar tanto em mim, procuro não sabotar minha vida, fazendo-me de vítima para provar o quanto o universo conspira contra mim. Pelo contrário, vivo intensamente o que é possível. O planeta que dance conforme minha música, a lua que mude suas fases conforme o volume dos meus cabelos, o sol que cumpra seu papel de aparecer aos domingos.

Tenho fé naqueles que me amam, pois, só por me tolerarem e me darem suporte, certamente eles são confiáveis e merecem que em neles eu acredite.



Sim! Somos seres humanos em desenvolvimento. Essa minha incompletude me move, impulsionada por algumas fés, e sem elas, jamais estaria aqui escrevendo tanta baboseira.


BJS!