O mundo virou de cabeça para baixo!!!!
Sou xingada na Avenida Brasil quando respeito as normas do trânsito, como os limites de velocidade.
Sou considerada patética quando não faço pequenos esquemas para me favorecer só por ser servidora pública, como em relação à carga horária de trabalho.
Sou considerada inocente quando chego à aula pontualmente, quando já se sabe tacitamente que ela não começará na hora.
Sou considerada simpática demais só porque julgo fundamental cumprimentar as pessoas com bom dia/tarde/noite ou manifestar gratidão, com um simples obrigada, valendo a regra para todos sem exceções, ao frentista que abastece meu carro, ao caixa do supermercado, à porteira do restaurante, aos seguranças do prédio que trabalho...
Sou considerada antiquada só porque acredito que ir a baladas liberais com meu noivo não é uma prova de fidelidade, pois boa parte dos jovens acredita que só estão satisfazem o interesse sexual sem que com isso tenha alguma implicação afetiva (por baladas liberais entenda as novas formas de swing).
Sou considerada idiota só porque, mesmo com 27 anos, aviso aos meus pais aonde vou, apenas para não preocupá-los, pois saberão me achar caso algo aconteça.
A sorte é que o que acham de nós, nunca é ipsis litteris o que somos. Apenas nós sabemos quem somos. Então, que considerem tudo o que quiseram. Não abrirei mão de deixar o meu mundo exatamente na posição que deve estar: de cabeça para cima. Pelo menos para mim.
Uma vida não questionada não merece ser vivida
terça-feira, 23 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
CoMO é BoM sER maLUCO X O suRTo Da LUciDEz
Como é bom ser louco de pedra, doido varrido. O lúcido precisa a todo tempo provar o seu valor, o valor da sua sanidade, do louco, nada lhe é cobrado.
Se você a todo tempo é lúcido com suas idéias, se você tem um bom raciocínio lógico, se você consegue ler o mundo nas entrelinhas, nas sutilezas da vida, acredito que todos digam a você: nossa você é tão lúcido, tem tanta seriedade, como você percebeu isso? como você percebeu aquilo?
Agora, experimente, no vulgar dito, perder as estribeiras. Experimente falar um pouco mais alto, ainda que seja em uma situação (afinal a vida nos brinda com esses momentos) totalmente justificável; experimente usar sua emoção e não a razão; experimente se defender com unhas e dentes como loucos fazem, sem muita preocupação com a classe e boas condutas sociais? E pimba! Não adianta todo seu histórico de lucidez se, em alguns segundos, você pode perdê-lo para sempre e dar de presente às testemunhas do evento uma arma que será continuamente usada contra você.
Ah, você deve estar perguntando... e os loucos. Bem, doido é doido, bata palma para ele dançar e tudo sempre ocorrerá bem. Ele pode gritar, ofender, calcular mal um evento, dar uma palavra de fora de hora, e até te bater... não se pode ter surpresas, tudo isso já está incluso no repertório.
Registro apenas o quão injusta é a cobrança com aqueles que de tanta lucidez acabam vivendo a loucura de ter que a todo tempo ser patrulhado por esse dito bom senso.
Registro também que por doidos, insanos, não chamo aqueles que sofrem de algum tipo de problema no campo da saúde mental, e sim aqueles que possuem todas as ferramentas mentais para discernir bem os momentos da vida, mas abdicaram dela para cometer seus erros e viver impunemente, fazendo escolhas erradas, e tendo um comportamento social desprezível.
O trânsito, a política, as escolas, os departamentos públicos e privados, as famílias, todos os lugares e instituições sociais, estão superlotados de pessoas dessa espécie.
E aí ouvimos: mas poxa, dele(a) a gente já esperava isso, ele é meio maluquinho, meio irresponsavelzinho, meio imaturozinho, mas você... de você jamais esperávamos isso...
E prossegue a pergunta que a cada me parece mais sábia, aplicável e contextualizável: por que não nasci cachorro? As estruturas mentais que ele precisa utilizar são: grama-cocô-comida-casinha-soninho-latir-bolinha-coceirinha... nada muito complexo.
bjs
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Tragédia caribenha
Como pode um local tão fabuloso, com suas praias cintilantes, ser palco de tanta desgraça?
Um país povoado por guerreiros, por pessoas que carregam em sua história a marca da bravura, da coragem e das tradições antigas.
Um povo que lutou para ser independente, que lutou para permanecer vivo, que lutou por sua terra, por suas raízes...
Dizimado ao extremo, numa história não muito diferente da nossa, que foi saqueado das maneiras mais vis possíveis, que viu o cajado dos poderosos sobrepujá-los, e ainda assim, mantiveram-se valentes.
Um povo sofrido, que canta suas misérias, que dança suas angústias, e que não vê a hora de ser livre.
Devastado pela mão humana, devastado pelas forças sobrenaturais da natureza, devastado pela pobreza sem precedentes, devastado pela falta de esperança.
Muitos correm para áreas vizinhas, muito menos em busca de um lugar para morar, e muito mais em busca de paz de espírito, num esforço de deixar para trás os miseráveis séculos que compõem a sua história.
Até quando esse povo conseguirá permanecer tão valente, como nos tempos em que os índios que habitavam a terra e os escravos chegados da África lutaram e relutaram?
Deus ajude esse povo a reecontrar o caminho para a felicidade, pois eles estão à espera dela...
Que aqueles que têm braços, condições econômicas e visibilidade possam ajudá-los de alguma forma. Nós, expectadores dessa tragédia, colaboramos com nossas orações, nossas preces, e algo diferentemente bom possa acontecer a eles.
Somos todos um só povo, uma só raça, a humana, por isso, sinto muito por todos mortos nessa desgraça, por aqueles que perderam seus familiares, pelos brasileiros que estavam lá...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
SERÁ QUE VALHO QUANTO?
Descreva-se. Com este imperativo já passei por algumas entrevistas na minha vida. e como um surto que nem sempre consigo controlar, me descrevo por aquilo que faço e não pelo o que sou.
Faço Pedagogia, gosto de assistir a estes filmes, ouço tais e tais músicas, adoro comer estes e aqueles pratos etc. Eis aí o resumo de mim mesma que satisfaz de uma forma em geral, a maioria das pessoas que surgem com esta pergunta.
Respostas evasivas, cômodas, pouco valorativas, e paradoxalmente, profundamente superficiais.
Mas a verdade é que a maioria se satisfaz (diria que plenamente) com estas respostas, pois elas sintetizam o paradigma no qual estamos submersos e que diariamente ajudamos a solidificar: o valor do homem pelo o que ele faz, e não pelo que ele é. O homem como uma mercadoria, como objeto de ação, e esta ação na ponta nem sempre vem precedida por uma ação inicial, que é o pensar, o ser. De muito ocupados que estamos, sequer temos tempo para pensar nossa existência.
As relações entre as pessoas estão tão mercantilizadas, tão barganhadas, que perdemos aos poucos o interesse por estar em companhia de alguém por estar, pois sempre esperamos dela algo em troca, uma espécie de pagamento maquiado, e nem sempre é material. Em terra de leões, nada é grátis, e se ofereço algo, devo recebê-lo em troca, na mesma medida, ou ligeiramente mais, seja para bem ou para mal.
Quem dá recebe; o que se faz se paga...
Valemos aquilo que fazemos. E se deixamos de fazê-lo com destreza, certamente perdemos parte de um valor que jamais tivemos. Assim é na faculdade, no trabalho, na igreja, e até mesmo dentro das famílias.
Como me recuso a me auto-imputar um valor pelo que faço, finalizo dizendo quem eu sou, quem eu sou mesmoooo, pois apesar de aquilo que faço também dizer algo sobre mim, ele não me resume. Eu sou mais que alguém que faz Pedagogia na UERJ, que faz curso de inglês, que faz academia, que não gosta de escovas de cabelo e que adora legumes e pizzas e hambúrgueres gigantes. Nos entremeios e intervalos da vida, sou também curiosa, teimosa, impaciente, solícita, questionadora, inconformada, dedicada, ciumenta, levemente saudosista e pesadamente implicante.
E se você insiste em dizer que não tem tempo, seja criativo e inteligente como meu amigo da foto abaixo...
Em meios aos números 1 e 2 da vida, um ser pensante...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
VIDA DIFÍCIL PRA CACHORRO...
Todas as vezes que é veiculada a propaganda da Pedigree tenho vontade de sair da sala... francamente, não suporto mais vê-la e conter a vontade de chorar... que triste.
Não apenas pelos bichinhos, que são o centro das atenções do comercial, mas por tudo que a mensagem desta propaganda me remete.
Quando a vejo, penso nos bichinhos que são frequentemente abandonados nas ruas (é isso aí, Luíza Mel... choraaaaaa, eu também choro), que são trocados por cães afrescalhados e caríssimos. Inúmeras pessoas com poder aquisitivo preferem comprar um filhote por fortunas a adotarem um nessas instituições de apoio aos animais. Que tolice, bichinho é bichinho...
Numa sociedade em que o mais caro vale mais, em que a raça é critério de distinção, só podíamos parar na situação como seres humanos que nos encontramos (ou desencontramos).
O que falar, agora em escala absurdamente mais grave, obviamente, dos meninos e meninas sumariamente abandonados nessas instituições de acolhimento de crianças, desses bebês lindinhos totalmente à mercê do azar e da sorte?
Conheço pessoas que preferem povoar o planeta com uma penca de filhos a adotarem um bebê. Pura ignorância, pois nada nessa vida é natural (viva Foucault), quase nada nessa vida é inato, até mesmo as relações mais profundas do bebê com sua mãe são construídas socialmente, então, porque não amar, e adotar como seu um filho do mundo, construindo com ele um vínculo de carinho e maternidade?
Preferem ignorar a existência destes e trazer ao mundo suas próprias crianças, num ato quase narcísico de necessidade de produzir algo que seja, pelo menos fisicamente e comportamentalmente, reflexo seu.
É claro, que por trás há todo preconceito relativo à cor, à classe social, muito além talvez dessa questão do que é ou não natural.
Uma sociedade que distingue animaizinhos de estimação por raça e valores, jamais seria capaz de compreender o amor por uma criança, independente de sua "raça" (para os idiotas que ainda insistem nessa expressão), ou classe social.
Por isso que vejo as igrejas tão cheias de pessoas e tão esvaziadas de amor, por não entenderam o mandamento básico e pedra fundamental dos ensinamentos de Cristo: amar.
É por isso, que muitos continuam preferindo falar em línguas indecifráveis, ter dons de revelações, liderança, a ter o dom do amor, da misericórdia.
Por isso, muitos ainda pagam R$ 2.000 em um filhote a tomar um para si na Suípa. Por isso, os bebês crescem nas instituições de apoio e aos 18 anos são despejados para as ruas, numa ação clara do Estado de afirmação de que "esse problema não é mais meu...". Por isso, nos esquivamos dessas crianças nas ruas com medo de sermos assaltados. Por isso, a cracolância em Sampa vive cheia.
E tudo começou com um simples comercial da Pedigree...
E pensar que as coisas mais simples da vida são as que mais possuem lições a oferecer.
BJS!
domingo, 11 de outubro de 2009
O QUE ME MOVE
Somos todos homens e mulheres de fé. Pelo menos, é o que eu acho. Até mesmo os ateus depositam sua fés em algo ou alguém: em cálculos matemáticos, numa descoberta da genética, no novo emprego, no novo governante etc.
E quando a razão já não é capaz de fornecer as respostas que desejamos, tentamos buscar em algo além de nós estas respostas, sem percebermos que algumas delas são insolúveis...
Nascemos, nos relacionamos, conhecemos e esquecemos pessoas. Somos esquecidos, somos amados, somos odiados. Sentimos inveja e ciúmes, temos ataques de raiva, de depressão, de melancolia, de excitação. Temos curiosidades, testamos sabores, testamos a vida, testamos os Homens.
Consumimos o dispensável, perdemos a cabeça por um belo sapato. Odiamos as mulheres bonitas e inteligentes, certamente elas possuem seis dedos e um péssimo hálito.
Vibramos com as vitórias, escondemos as derrotas, escondemos a nós mesmos.
Fugimos da chuva, reclamamos das vias esburacadas, somos assaltados e contamos depois como se tivesse sido uma grande aventura...
Bem, quanto a mim, vou indo muito bem, obrigada... tenho fé em Deus, fé que nunca estou só, que sou acolhida, cuidada, testada, provada a cada nova atitude. Não como um inquisitor, mas como alguém que me ensina a viver melhor, uma espécie de ajudante para um... improve myself.
Tenho fé no Mengão, tenho fé até no Dennis Marques.
Tenho fé que algumas condições sociais poderão mudar, tenho fé que não serei uma qualquer.
Tenho fé em mim. Não é possível que minha passagem por este (de muitos outros) planetas seja tão vã, tão fugaz, tão insipidamente vazia. E por acreditar tanto em mim, procuro não sabotar minha vida, fazendo-me de vítima para provar o quanto o universo conspira contra mim. Pelo contrário, vivo intensamente o que é possível. O planeta que dance conforme minha música, a lua que mude suas fases conforme o volume dos meus cabelos, o sol que cumpra seu papel de aparecer aos domingos.
Tenho fé naqueles que me amam, pois, só por me tolerarem e me darem suporte, certamente eles são confiáveis e merecem que em neles eu acredite.
Sim! Somos seres humanos em desenvolvimento. Essa minha incompletude me move, impulsionada por algumas fés, e sem elas, jamais estaria aqui escrevendo tanta baboseira.
BJS!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Em terra de cego, que tem um olho é rei.
Como boa moradora do subúrbio carioca, sempre me assusto com a discrepância no que tange a vários aspectos da vida daqueles que moram na Zona Sul e os que residem nas demais áreas. Aos amigos, costumo dizer que o Rio é a zona da praia, do poder aquisitivo, e o De Janeiro... todas as demais áreas, inclusive, a que moro.
Nunca a janela de um ônibus me assustou tanto. As diferenças são gritantes, a impotência é silenciosa, mas presente. E aí me lembro do Rafael Straforini (que droga saiu da UERJ e foi pra UFRJ! grrr), dizendo que para que alguns tenham lazer, é preciso retirar dos demais. É tão difícil conceber uma sociedade em que todos possam ter os mesmo direitos de lazer, de bem-estar social, o que inclui o morar bem, comer bem, dormir bem, e rir dos motivos certos, e não da tragédia que assola? Nada mais medíocre do que a frase é melhor rir pra não chorar, pois não há mecanismo de defesa psicológico mais perverso do que esse. Só assim mesmo para esquecer as intempéries da vida. E que vida...
Voltando ao ônibus, avistei a praia de Cobacabana, e pensei em tudo que podia fazer nela pela manhã. A minha crítica não se dirige aos que lá residem (que em certa medida têm suas parcelas de culpa por se posicionarem como cegos sociais), mas se têm responsáveis nessa história, são os governantes...
Nesse ínterim de desgraça, pensando quanto eu poderia ganhar com um emprego público bem-remunerado, cheguei à conclusão (não sozinha, mas com a ajuda da minha brilhante e vitaminada amiga Eunice), que para morar lá (e ser em certa medida responsável por todas essas agruras também, sonho de todo pobre que estuda), somente casando com alguém rico, abrindo uma ONG, ou demais coisas ilícitas muito inconvenientes para o momento. Ascensão social é muito Teoria do Capital Humano para meus ouvidos... aqui não é a Índia, mas estamos a caminho (inclusive, que desgraça as pessoas assitirem a essa novela, talvez devessem ter visto o filme Slumdog millionaire para ampliar as perspectivas)
Mas ainda bem que aqui não me limitam os caracteres, pois sou demasiada descritiva (enrolona no bom português)... finalmente cheguei no assunto que queria tocar.
Nesse contexto, vem a docinho da Carolina Dickman (assim que se escreve?) e diz no programa da genial Maria Gabriela (e não Gabriherpes...rs), que sente um profundo desconforto ao ir a Sampa por conta da segregação e desigualdade social serem muito mais visíveis do que no Rio... segundo ela, o RJ é mais democrático, as pessoas se misturam e a praia é um dos palcos para essa engenhosidade funcionar.
Acho que, primeiro, ela estava se referindo ao Rio, pois o De Janeiro, há algumas chances de ela sequer conhecer. Segundo, um pouquinho de visão de mundo social faria com ela percebesse que apesar da praia ser comum a todos, os espaços urbanos são espaços de poder, e que a pessoa que senta nas areias de Ipanema, na altura do posto 9, para ler o seu jornal O Globo, fumar seu charuto cubano, vestindo sua camisa Lacoste, usando seu sombreiro Ralph Lauren é bem diferente daqueles que levam o frango com a farofa e passam bronzeador de urucum... não no posto 9.
Que Rio de Janeiro é esse em que as pessoas de classes econômicas diferentes se misturam? Que praia é essa? Que shoppings são esses? Que ciclovias são essas?
Isso aqui é democrático?
Abre o olho! Ou faça transplantes de córnea...
Por que daí do alto você está enxergando muito pouco... você e alguns outros poucos nesse Estado que tem dinheiro...
Complicado! Mas, é um ponto de vista. Fica a crítica, mas todos têm direito de se expressar, desde a docinho até essa reles pessoa que vos fala.
BJS!
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