Todas as vezes que é veiculada a propaganda da Pedigree tenho vontade de sair da sala... francamente, não suporto mais vê-la e conter a vontade de chorar... que triste.
Não apenas pelos bichinhos, que são o centro das atenções do comercial, mas por tudo que a mensagem desta propaganda me remete.
Quando a vejo, penso nos bichinhos que são frequentemente abandonados nas ruas (é isso aí, Luíza Mel... choraaaaaa, eu também choro), que são trocados por cães afrescalhados e caríssimos. Inúmeras pessoas com poder aquisitivo preferem comprar um filhote por fortunas a adotarem um nessas instituições de apoio aos animais. Que tolice, bichinho é bichinho...
Numa sociedade em que o mais caro vale mais, em que a raça é critério de distinção, só podíamos parar na situação como seres humanos que nos encontramos (ou desencontramos).
O que falar, agora em escala absurdamente mais grave, obviamente, dos meninos e meninas sumariamente abandonados nessas instituições de acolhimento de crianças, desses bebês lindinhos totalmente à mercê do azar e da sorte?
Conheço pessoas que preferem povoar o planeta com uma penca de filhos a adotarem um bebê. Pura ignorância, pois nada nessa vida é natural (viva Foucault), quase nada nessa vida é inato, até mesmo as relações mais profundas do bebê com sua mãe são construídas socialmente, então, porque não amar, e adotar como seu um filho do mundo, construindo com ele um vínculo de carinho e maternidade?
Preferem ignorar a existência destes e trazer ao mundo suas próprias crianças, num ato quase narcísico de necessidade de produzir algo que seja, pelo menos fisicamente e comportamentalmente, reflexo seu.
É claro, que por trás há todo preconceito relativo à cor, à classe social, muito além talvez dessa questão do que é ou não natural.
Uma sociedade que distingue animaizinhos de estimação por raça e valores, jamais seria capaz de compreender o amor por uma criança, independente de sua "raça" (para os idiotas que ainda insistem nessa expressão), ou classe social.
Por isso que vejo as igrejas tão cheias de pessoas e tão esvaziadas de amor, por não entenderam o mandamento básico e pedra fundamental dos ensinamentos de Cristo: amar.
É por isso, que muitos continuam preferindo falar em línguas indecifráveis, ter dons de revelações, liderança, a ter o dom do amor, da misericórdia.
Por isso, muitos ainda pagam R$ 2.000 em um filhote a tomar um para si na Suípa. Por isso, os bebês crescem nas instituições de apoio e aos 18 anos são despejados para as ruas, numa ação clara do Estado de afirmação de que "esse problema não é mais meu...". Por isso, nos esquivamos dessas crianças nas ruas com medo de sermos assaltados. Por isso, a cracolância em Sampa vive cheia.
E tudo começou com um simples comercial da Pedigree...
E pensar que as coisas mais simples da vida são as que mais possuem lições a oferecer.
BJS!

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