terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em terra de cego, que tem um olho é rei.

Como boa moradora do subúrbio carioca, sempre me assusto com a discrepância no que tange a vários aspectos da vida daqueles que moram na Zona Sul e os que residem nas demais áreas. Aos amigos, costumo dizer que o Rio é a zona da praia, do poder aquisitivo, e o De Janeiro... todas as demais áreas, inclusive, a que moro.
Nunca a janela de um ônibus me assustou tanto. As diferenças são gritantes, a impotência é silenciosa, mas presente. E aí me lembro do Rafael Straforini (que droga saiu da UERJ e foi pra UFRJ! grrr), dizendo que para que alguns tenham lazer, é preciso retirar dos demais. É tão difícil conceber uma sociedade em que todos possam ter os mesmo direitos de lazer, de bem-estar social, o que inclui o morar bem, comer bem, dormir bem, e rir dos motivos certos, e não da tragédia que assola? Nada mais medíocre do que a frase é melhor rir pra não chorar, pois não há mecanismo de defesa psicológico mais perverso do que esse. Só assim mesmo para esquecer as intempéries da vida. E que vida...


Voltando ao ônibus, avistei a praia de Cobacabana, e pensei em tudo que podia fazer nela pela manhã. A minha crítica não se dirige aos que lá residem (que em certa medida têm suas parcelas de culpa por se posicionarem como cegos sociais), mas se têm responsáveis nessa história, são os governantes...
Nesse ínterim de desgraça, pensando quanto eu poderia ganhar com um emprego público bem-remunerado, cheguei à conclusão (não sozinha, mas com a ajuda da minha brilhante e vitaminada amiga Eunice), que para morar lá (e ser em certa medida responsável por todas essas agruras também, sonho de todo pobre que estuda), somente casando com alguém rico, abrindo uma ONG, ou demais coisas ilícitas muito inconvenientes para o momento. Ascensão social é muito Teoria do Capital Humano para meus ouvidos... aqui não é a Índia, mas estamos a caminho (inclusive, que desgraça as pessoas assitirem a essa novela, talvez devessem ter visto o filme Slumdog millionaire para ampliar as perspectivas)

Mas ainda bem que aqui não me limitam os caracteres, pois sou demasiada descritiva (enrolona no bom português)... finalmente cheguei no assunto que queria tocar.
Nesse contexto, vem a docinho da Carolina Dickman (assim que se escreve?) e diz no programa da genial Maria Gabriela (e não Gabriherpes...rs), que sente um profundo desconforto ao ir a Sampa por conta da segregação e desigualdade social serem muito mais visíveis do que no Rio... segundo ela, o RJ é mais democrático, as pessoas se misturam e a praia é um dos palcos para essa engenhosidade funcionar.
Acho que, primeiro, ela estava se referindo ao Rio, pois o De Janeiro, há algumas chances de ela sequer conhecer. Segundo, um pouquinho de visão de mundo social faria com ela percebesse que apesar da praia ser comum a todos, os espaços urbanos são espaços de poder, e que a pessoa que senta nas areias de Ipanema, na altura do posto 9,  para ler o seu jornal O Globo, fumar seu charuto cubano, vestindo sua camisa Lacoste, usando seu sombreiro Ralph Lauren é bem diferente daqueles que levam o frango com a farofa e passam bronzeador de urucum... não no posto 9. 
Que Rio de Janeiro é esse em que as pessoas de classes econômicas diferentes se misturam? Que praia é essa? Que shoppings são esses? Que ciclovias são essas? 
Isso aqui é democrático?





Abre o olho! Ou faça transplantes de córnea...
Por que daí do alto você está enxergando muito pouco... você e alguns outros poucos nesse Estado que tem dinheiro...


Complicado! Mas, é um ponto de vista. Fica a crítica, mas todos têm direito de se expressar, desde a docinho até essa reles pessoa que vos fala.

BJS!

2 comentários:

  1. Fico mais que emocionada em ver que nossas divagações deram em alguma coisa... Somos pedagogas continuamos pobres, mas temos um blog pra gritar ao mundo... mesmo que ngm nos ouçam...
    te amooooooo
    Nice de Castro

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  2. Somos pobres de bolso, mas não de alma... essa é nossa diferença!!!! Cria logo um!!! rsrs... Maravilhosaaa

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